O poema no pórtico do Parque de Santa Cruz em Coimbra

No pórtico do Parque de Santa Cruz em Coimbra há um poema:

Uma foto do pórtico do Parque de Santa Cruz. No pórtico há três estátuas: estátuas da Fé, da Caridade e da Esperança. Em baixo das estátuas há um poema e uma lâmpada.

Uma foto do poema. O texto é: Jam nemus Idalium miracula contegat artis, // Nec jactet fontes Ida sacrata suos // Hoc nemus extollit simul ars et murmur aquarũ, // Nec par huic aliud, ni Paradisus erit

jam nemus Īdalium mīrācula contegat artis,
    nec jactet fontēs Īda sacrāta suōs.
hoc nemus extollit simul ars et murmur aquārum,
    nec par huic aliud, nī Paradīsus erit.

Bosque Idálio encubra as maravilhas de arte,
    Nem monte sagrada Ida deite as suas fontes.
Este bosque exalta juntos arte e murmúrio de águas,
    Nem há outro igual a ele, a não ser que seja o Paraíso.

Este poema é escrito em dísticos elegíacos, o metro mais popular na poesia latina. A alternação do hexâmetro nos versos pares e pentâmetro nos versos ímpares produz um efeito de ascensão e descida.

Pode-se marcar ictos poéticos. Agora temos evidência de que os romanos não liam poemas com ictos poéticos, eles liam poemas com o acento de prose. A tradição dos ictos poéticos é mais avançada, não é pertinente do latim clássico. Mas eu gosto da maneira de ler com ictos poéticos:

jám nemus Ídaliúm mirácula cóntegat ártis,
    néc jactét fontés // Ída sacráta suós.
hóc nemus éxtollít simul árs et múrmur aquárum,
    néc par huíc aliúd, // ní Paradísus erít.

Talvez os sítios Ida e Idálio fossem escolhidos porque se parecem à palavra «ídolo». Ida e Idálio eram locais sagrados dos pagãos. O Parque de Santa Cruz é um local cristão: há poemas sobre temas da Bíblia lá. Para o poeta, o parque cristão é melhor do que locais pagãos.

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