Poemas em azulejos em Coimbra

Ao lado da Fonte da Nogueira no Parque de Santa Cruz em Coimbra há dois azulejos com poemas em latim.

A foto do azulejo. No azulejo estão Hagar e Ismael. Hagar está no oásis, Ismael está a dormir perto da sua mãe, o anjo está no céu.

No Google Maps há panoramas deste parque: https://goo.gl/maps/nYy45uHrf1u. Não se pode ler os poemas nos panoramas, mas eles mostram o contexto.

Os dois poemas recontam histórias da Bíblia. Os dois são escritos em dísticos elegíacos. O esquerdo poema reconta a história de Hagar e Ismael, do Genes. 21:14—19:

O texto do poema: «PRO NATO, MORIENTE SITI, ROGAT ANXIA COELUM // MATER, ET OSTENSIS INDE, POTITUR AQUIS // IPSE NOUAS UIRES HAUSTIS CAPIT ISMAËL UNDIS // DISCE: DEUS MISERIS, QUANDO ROGATUR, ADEST».

prō nātō, moriente sitī, rogat ānxia coelum
    māter, et ostensīs inde, potītur aquīs.
ipse novās vīrēs haustīs capit Ismaël undīs.
    disce: Deus miserīs, quando rogātur, adest.

Não posso traduzir como um poema, por isso vou traduzir como prosa: «Inquieta mãe está a rogar aos céus pelo filho, que está a morrer de sede, e ele está a receber águas. E Ismael toma novas forças nas ondas. Aprende: Deus ajuda os miseráveis, quando ele está rogado».

Eu fiz uma esquema do metro desta poema. Para o fazer, eu utilizei LaTeX com um pacote ótimo metrix. Se quiser ler com ictos poéticos, pode pôr acentos nas primeiras sílabas da cada pé («pró nató moriénte sití...»).

prō nā-|-tō mŏ-rĭ-|-en-tĕ sĭ-|-tī, rŏ-gā-|-t_ān-xĭ-ă | coe-lum // mā-te-r_e-|-t_os-ten-|-sīs / in-dĕ, pŏ-|-tī-tu-r_a-|-quīs // ip-se no-|-vās vī-|-rē-s_haus-|-tīs ca-pi-|-t_Is-mă-ĕ-|-l_un-dīs // dis-cĕ: Dĕ-|-us mĭ-sĕ-|-rīs, / quan-dŏ-rŏ-|-gā-tŭ-r,_a-|-d_est

O poema direito é sobre o profeta Eliseu:

O texto do poema: «CERNE, SACER UATES, MORTES SUNT UNDE TOT HAUSTÆ // MIXTO PROFICUAS HAS SALE REDDIT AQUAS. // SAL DOCTORIS, AQUAE POPULI SUNT SYMBOLA; DISCE, // A DOCTIS POPULO UISQUE SALUSQUE UENIT

cerne, sacer vātēs, mortēs sunt unde tot haustae,
    mixtō prōficuās hās sale reddit aquās.
sāl doctōris, aquae populī sunt symbola; disce,
    ā doctīs populō vīsque salūsque venit.

Não posso guardar a divisão das linhas no meu tradução: «Veja: quando o profeta santo mistura estas águas, do que tantas mortes eram tomadas, com sal, ele fá-las úteis. Sal é um símbolo de mestre, águas são um símbolo de povo. Estude: força e saúde vêm dos formados para o povo».

Esta história é escrita num livro do Bíblia, que é conhecido como Segundo Livro dos Reis em português ou Quarto Livro dos Reinos em russo. O profeta Eliseu salgou água para desinfetá-la. (Não desinfete água desta maneira, por favor! A não ser que seja um santo profeta.)

Aqui está o esquema do metro deste poema:

cer-nĕ să-|-cer-vā-|-tēs, mor-|-tēs sunt | un-dĕ tŏ-|-t_haus-tae // mix-tō | prō-fĭ-cŭ-|-ās / hās sălĕ | red-dĭ-t_a-|-quās. // sāl doc-|-tō-rĭ-s,_ă-|-quae pŏ-pŭ-|-lī sunt | sym-bŏ-lă; | dis-ce, / ā doc-|-tīs pŏ-pŭ-|-lō / vīs-quĕ să-|-lus-quĕ vĕ-|-nit.

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